Post #300

Normalmente quando vamos comemorar alguma coisa, temos como referência os números. Eles, muitas vezes são abominados pelas pessoas, afinal, a matemática da vida se resume em números e muita gente não se da bem com eles. Os números são o ponto de partida e também o ponto de chegada, são primos, naturais, inteiros, binários, datas, enfim, os números, objeto da matemática usado para descrever quantidade, ordem ou medida, movem o mundo, agradam uns e desagradam outros.

Aproveitando o tempo livre e a inspiração, resolvi escrever o Post #300. Muitos de vocês vão se perguntar se isso é uma retrospectiva. Em época de fim de ano isso é normal. Nada como relembrar as coisas boas e ruins. Mas acreditem, o Post #300 tem outra finalidade. Repensar conceitos, reavaliar atitudes, planejar ações e o mais importante, comemorar os 300 posts publicados no blog.

Ao longo dos últimos oito anos e quatro meses, o que era pra ser um repositório de ideias, tornou-se uma paixão e cresceu. Estamos no twitter, facebook e temos até um periódico. Lógico que a frequência de matérias reduziu sensivelmente, apesar de estarmos em outras redes. Vale lembrar que não vivo de receitas do blog e nem penso nisso. Isso é um passatempo. Diga-se de passagem, delicioso. Infelizmente minha profissão exige muito de meu tempo e acabo deixando para oportunidades como esta, o hábito de escrever e trazer algo para os leitores. O blog nasceu de um desejo enorme de escrever. Antes porém era necessário perder o medo. Todos nós temos medos, o meu era expor ideias e trazê-las ao público da grade rede.

O Posto #300 reflete exatamente isso. O desejo de escrever mais, expor as ideias e estar mais presente. Embalado no Linux 5.0 e no retorno do Popcorn Time, não poderia deixar para depois esse texto. Acreditem, foram longos oito anos para chegar no número 300. Pode ser pouco, dependendo do ponto de vista de cada um, ou talvez até muito, o fato é que chegar até aqui foi  muito gratificante.

Ao longo desse tempo consegui agregar amigos, contatos e lógico, um desafeto com apenas um usuário. Nada tão cabuloso assim, podem crer. Também recebi muitos convites de parcerias. Nunca houve má vontade de minha parte em aceitá-los, mas jamais consegui ajustar minha demanda de tempo para trabalhar com os parceiros. Minhas desculpas por isso. Outro aspecto relevante era que o blog no início foi focado em Linux, porém, com o passar do tempo e a necessidade de ampliar o rol de assuntos, o que julguei muito útil para a sobrevivência do site, optei em mudar o foco. Isso pode ser visto em algumas publicações que deram um bom retorno dos usuários. Sempre digo, o feedback é muito importante. Seja criticando, enaltecendo ou sugerido e o principal, participando. Entretanto, que fique bem claro, o carro chefe do blog é Linux, Software Livre e afins, com uma boa dose de tecnologia, é claro!

De todas as #300 publicações, julgo que algumas foram inúteis e inoportunas. Não as excluí. É no erro que aprimoramos. Isso pode ser constatado, por exemplo, no post que falo sobre a criação de um bot no Telegram. Não deu certo e serve de exemplo. Porém tive bons retornos em outros assuntos que tratei por aqui. O Campeão deles foi sobre a instalação de um SSD num MacBook. Os comentários não param de chegar e sempre tiro dúvidas dos usuários. Isso mostra que não estava errado em diversificar os assuntos. Falando em MacBook, também fui criticado quando escrevi sobre meus primeiros passos no mundo Apple. Sim, uso Mac e OS X e não vejo mal nenhum nisso. Mesmo com essa escolha não deixei meu adorado Linux de lado. O Debian reina soberano aqui.

Por fim, e mais importante, o Post #300 servirá para não deixar apagar o desejo de continuar escrevendo sobre tecnologia em toda a sua plenitude. Entendam uma coisa, nem sempre é fácil conciliar trabalho, vida em família e lazer com um blog, mas tendo um tempinho de sobra, boa vontade e inspiração, essa chama não se apagará. Por isso que não poderia deixar que o Post #300 passasse em branco ou fosse sobre outro assunto qualquer. Ele tem sua importância.

As vezes também me pergunto: o blog vai continuar? Sim, não tenho a menor dúvida disso. O prazer em escrever e expor as ideias nunca acaba. Espero apenas que tenham paciência e sobretudo curiosidade em passar por aqui, deixando pelo menos um pequeno “hello word”, para que a motivação continue.

Deixo registrado também meu muito obrigado a todos que um dia aportaram aqui e meu desejo que voltem sempre. Não se esqueçam de dar seu feedback. Isso ajuda muito e é o retorno que todo blogueiro necessita para manter seu projeto vivo. Quem venha em breve o Post #400!

Popcorn Time, o retorno

Recentemente o domínio popcortime.io e seu aplicativo foi retirado do ar pelos seus desenvolvedores. Isso deixou muita gente se perguntando se era o fim do serviço. Embora sabemos que esse tipo de software é abominado pela indústria cinematográfica, usuários do mundo todo usam o bittorrent para compartilhar esse tipo de conteúdo.

O Popcorn Time caiu a graça de todos pelo fato de, através de uma interface de uso simples, o usuário poder assistir os mais novos lançamentos cinematográficos sem sair de casa bem como clássicos do cinema, além das séries. Com o fim do serviço, muitos usuários esperavam algo novo.

Eis que no início de dezembro, a comunidade seu uniu e trouxe de volta o Popcorn Time, novo aplicativo que promete trazer de volta a possibilidade de assistir filmes e séries online.

Se você curtia o aplicativo anterior e quer instalar a nova versão em seu Linux, basta proceder da seguinte maneira:

No terminal digite “uname -a” para verificar qual a versão de seu sistema operacional.

Seu sistema sendo de 32 bits, baixe o arquivo aqui. Se seu sistema for de 64 bits, baixe o arquivo aqui.

Após baixar o arquivo, abra o terminal, entre na pasta onde salvou o arquivo baixado e descompacte usando o comando:

tar -xJf “nome do arquivo”

Após descompactar, entre na pasta do aplicativo e execute o seguinte comando:

$ ./install

Após isto, apenas confirme a instalação digitando “I agree” e pronto, o Popcorn Time será instalando sem nenhuma dor de cabeça em seu sistema.

Por fim, vale uma dica preciosa. Os desenvolvedores recomendam que o usuários que forem utilizar os recursos do aplicativo, usem uma VPN.

Gostou da dica? Deixe seus comentários e até a próxima!

Momento nostalgia – Linux 5.0?

Linux 5.0
A matéria falava da versão 5.0 do Conectiva Linux

Não há nada mais gratificante do que rememorar boas lembranças. Naquele dia 05 de outubro de 2000, numa quinta-feira, ao abrir o caderno de informática do Jornal Estado de Minas, tive um encontro que mudou para sempre minha visão sobre a tecnologia. Hoje, dando uma organizada em algumas coisas, encontrei este encarte, o qual jurava ter perdido e resolvi compartilhar com vocês esse momento nostálgico.

Jornal Estado de Minas
Clique na imagem para ver em tela cheia a matéria de capa.

A matéria começava falando da Linux Expo Brasil, que tinha acontecido uma semana antes da cidade de São Paulo e tratava o sistema operacional desenvolvido por Linus Torvalds como a principal estrela do evento. Na capa, uma foto do saudoso Conectiva Linux versão 5.0, a qual guardo com todo o carinho e esmero junto com o encarte do jornal, aguçou minha curiosidade. Não que eu já não tivesse ouvido falar do sistema. Algum tempo antes, numa conversa informal com amigos, isso na porta de uma funerária, o Linux chamou minha atenção justamente pelo fato de ser livre e seguro.

Conectiva

O texto também apontava as vantagens do sistema, o qual era bem mais barato que uma versão paga do Windows e permitia ao usuário promover modificações em seu código fonte. Me recordo de ter pago 88 reais na caixa do Conectiva 5. Ali começava minha verdadeira aventura no mundo da tecnologia.

Como disse o autor da matéria, “quem conhece o Windows e passa a utilizar o Linux, fica virtualmente apaixonado”. Realmente Laércio Vasconcelos não estava errado. Aquilo foi amor a primeira vista. Eu tinha que pôr a mão naquela caixa e instalar o Linux em meu velho Pentium MMX. Lógico que eu não tinha nenhuma noção de como comprar e nem como instalar aquele sistema, mas era isso que eu queria. Naquela época eu já usava dois discos rígidos e decretei que o segundo seria usado para o Linux. O grande barato daquilo tudo era saber que o sistema poderia coexistir numa boa com o Windows, então era descobrir onde comprar e instalar.

Download
Clique na imagem para ler o texto completo.

Um fator desanimador, e que hoje seria o menor dos problemas, era conseguir uma cópia online. A matéria falava em 18 horas para baixar todo o sistema. Hoje porém a história é outra, em menos de vinte minutos podemos baixar, dependendo da conexão, um DVD do Debian, Ubuntu, openSuse, Fedora dentre outros inúmeros sabores de Linux existentes e disponíveis. Porém, usando conexão discada naquela época e um maldito winmodem, essa tarefa estava bem distante de minha realidade. Naquele mesmo dia, após pesquisar depois da meia-noite – sim, as conexões eram feitas após a meia noite para baratear a conta telefônica – comprei meu Conectiva 5.

Programas e Interface
No detalhe acima o WindowMaker desenvolvido pelo brasileiro Alfredo Kojima e abaixo o KDE

A matéria além de mostrar screens de programas, o saudoso WindowMaker criado pelo brasileiro Alfredo Kojima, o KDE talvez em sua versão 1 ou 2 e lógico, a facilidade de instalação do sistema, o que na verdade não foi tão fácil assim para um principiante como eu, demonstrava o potencial do sistema para o mercado de trabalho, terminando suas conclusões mencionado que o Linux não era mais uma curiosidade acadêmica, mas sim um sistema maduro, robusto e seguro. Alguém duvida disso?

Ao longo desses quinze anos, o qual tive o incomensurável prazer de instalar o Conectiva 5 e dar minhas primeiras cacetadas no sistema de Linus, uma coisa é certa, o prazer é indescritível. Aprendi muito com o sistema do pinguim. Lógico que nem tudo foram flores. O caminho das pedras foi longo. Um dos fatores que mais dificultaram esse processo era a falta de documentação. O BR-Linux de Augusto Campos era até então um dos poucos sites que tratavam do assunto. Era e talvez seja o porto seguro de muitos usuários até hoje. A Conectiva também tinha um vasto material que ajudava e também atrapalhava em alguns momentos. O certo é que essa caminhada proporcionou além do conhecimento, amigos, boas discussões e até esse modesto blog.

Vale a pena usar Linux em seus computadores? Sempre me questionam isso. Nunca titubeei, claro que vale! As oportunidades são muitas e a curva de aprendizado é maior ainda.

Coleção
Versões do Conectiva Linux adquiridas em caixa. A versão 10 foi baixada direto do site.

Desde o Conectiva 5, passando pela versão seis, sete, oito, nove e finalizando na versão 10 do sistema, as quais tenho guardadas com muito carinho, cada uma me proporcionou alguma alegria e tristeza ao mesmo tempo. Após a fusão da Conectiva e Mandrake que resultou no Mandriva, experimentei um pouco de cada distro existente no mercado. Hoje uso o Debian e tenho uma enorme certeza, o Linux mudou minha forma de ver a tecnologia em toda a sua amplitude.

E você, como conheceu o Linux? Conte pra gente sua experiência com o sistema do pinguim.