Momento nostalgia – Linux 5.0?

Linux 5.0
A matéria falava da versão 5.0 do Conectiva Linux

Não há nada mais gratificante do que rememorar boas lembranças. Naquele dia 05 de outubro de 2000, numa quinta-feira, ao abrir o caderno de informática do Jornal Estado de Minas, tive um encontro que mudou para sempre minha visão sobre a tecnologia. Hoje, dando uma organizada em algumas coisas, encontrei este encarte, o qual jurava ter perdido e resolvi compartilhar com vocês esse momento nostálgico.

Jornal Estado de Minas
Clique na imagem para ver em tela cheia a matéria de capa.

A matéria começava falando da Linux Expo Brasil, que tinha acontecido uma semana antes da cidade de São Paulo e tratava o sistema operacional desenvolvido por Linus Torvalds como a principal estrela do evento. Na capa, uma foto do saudoso Conectiva Linux versão 5.0, a qual guardo com todo o carinho e esmero junto com o encarte do jornal, aguçou minha curiosidade. Não que eu já não tivesse ouvido falar do sistema. Algum tempo antes, numa conversa informal com amigos, isso na porta de uma funerária, o Linux chamou minha atenção justamente pelo fato de ser livre e seguro.

Conectiva

O texto também apontava as vantagens do sistema, o qual era bem mais barato que uma versão paga do Windows e permitia ao usuário promover modificações em seu código fonte. Me recordo de ter pago 88 reais na caixa do Conectiva 5. Ali começava minha verdadeira aventura no mundo da tecnologia.

Como disse o autor da matéria, “quem conhece o Windows e passa a utilizar o Linux, fica virtualmente apaixonado”. Realmente Laércio Vasconcelos não estava errado. Aquilo foi amor a primeira vista. Eu tinha que pôr a mão naquela caixa e instalar o Linux em meu velho Pentium MMX. Lógico que eu não tinha nenhuma noção de como comprar e nem como instalar aquele sistema, mas era isso que eu queria. Naquela época eu já usava dois discos rígidos e decretei que o segundo seria usado para o Linux. O grande barato daquilo tudo era saber que o sistema poderia coexistir numa boa com o Windows, então era descobrir onde comprar e instalar.

Download
Clique na imagem para ler o texto completo.

Um fator desanimador, e que hoje seria o menor dos problemas, era conseguir uma cópia online. A matéria falava em 18 horas para baixar todo o sistema. Hoje porém a história é outra, em menos de vinte minutos podemos baixar, dependendo da conexão, um DVD do Debian, Ubuntu, openSuse, Fedora dentre outros inúmeros sabores de Linux existentes e disponíveis. Porém, usando conexão discada naquela época e um maldito winmodem, essa tarefa estava bem distante de minha realidade. Naquele mesmo dia, após pesquisar depois da meia-noite – sim, as conexões eram feitas após a meia noite para baratear a conta telefônica – comprei meu Conectiva 5.

Programas e Interface
No detalhe acima o WindowMaker desenvolvido pelo brasileiro Alfredo Kojima e abaixo o KDE

A matéria além de mostrar screens de programas, o saudoso WindowMaker criado pelo brasileiro Alfredo Kojima, o KDE talvez em sua versão 1 ou 2 e lógico, a facilidade de instalação do sistema, o que na verdade não foi tão fácil assim para um principiante como eu, demonstrava o potencial do sistema para o mercado de trabalho, terminando suas conclusões mencionado que o Linux não era mais uma curiosidade acadêmica, mas sim um sistema maduro, robusto e seguro. Alguém duvida disso?

Ao longo desses quinze anos, o qual tive o incomensurável prazer de instalar o Conectiva 5 e dar minhas primeiras cacetadas no sistema de Linus, uma coisa é certa, o prazer é indescritível. Aprendi muito com o sistema do pinguim. Lógico que nem tudo foram flores. O caminho das pedras foi longo. Um dos fatores que mais dificultaram esse processo era a falta de documentação. O BR-Linux de Augusto Campos era até então um dos poucos sites que tratavam do assunto. Era e talvez seja o porto seguro de muitos usuários até hoje. A Conectiva também tinha um vasto material que ajudava e também atrapalhava em alguns momentos. O certo é que essa caminhada proporcionou além do conhecimento, amigos, boas discussões e até esse modesto blog.

Vale a pena usar Linux em seus computadores? Sempre me questionam isso. Nunca titubeei, claro que vale! As oportunidades são muitas e a curva de aprendizado é maior ainda.

Coleção
Versões do Conectiva Linux adquiridas em caixa. A versão 10 foi baixada direto do site.

Desde o Conectiva 5, passando pela versão seis, sete, oito, nove e finalizando na versão 10 do sistema, as quais tenho guardadas com muito carinho, cada uma me proporcionou alguma alegria e tristeza ao mesmo tempo. Após a fusão da Conectiva e Mandrake que resultou no Mandriva, experimentei um pouco de cada distro existente no mercado. Hoje uso o Debian e tenho uma enorme certeza, o Linux mudou minha forma de ver a tecnologia em toda a sua amplitude.

E você, como conheceu o Linux? Conte pra gente sua experiência com o sistema do pinguim.

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