Hora da verdade e de quebrar paradigmas

Desde que se falou em Unity, venho acompanhando tudo sobre a nova interface que a Canonical está desenvolvendo para o Ubuntu. Apesar de ter criticado ferrenhamente esse projeto quando anunciado, ao longo das versões beta da versão 11.04 pude degustar, mesmo não sendo o produto acabado, o que o usuário  terá nas mãos quando baixar a versão final e sua nova interface no dia 29/04. Em resumo, tenho minhas dúvidas se esse era o momento certo para tal mudança.

Desde o lançamento do KDE4, quando o time de desenvolvimento desencorajou a utilização das primeiras versões do ambiente por ainda estar prematuro, muito se falou da coragem em liberar algo ainda inacabado e os perigos dessa decisão. Eis que hoje o KDE4 atingiu um ótimo nível de maturidade, e demonstrou que nada melhor que novas versões para se ter um produto bem acabado. Para quem gosta do ambiente, o produto já está pronto e realmente impressiona pelo belo trabalho realizado.

Hoje, enquanto lia meus feeds de notícias sobre o lançamento do Natty e postagens de algumas pessoas que sigo no twitter um post me chamou a atenção: “#Canonical, a hora da verdade (ou da mentira) está chegando! Amanhã liberação da Final Release do #Linux #Ubuntu 11.04. Quem viver verá!” @eder099

Analisando a postagem, e avaliando minha experiência com o Unity durante os testes e o Linux em si ao longo dos últimos anos como usuário final, resolvi escrever sobre o que penso em relação a essa mudança e a” hora da verdade” mencionada pelo @eder099, bem como o destino da mais popular distribuição Linux do planeta.

Quando se falou em Unity, fiquei abalado. Acho que muitos outros usuários também ficaram. Sim, isso é normal. Ninguém em sua sã consciência mexe em um time quando ele está ganhando. Vencer a resistência dos usuários também nem sempre é simples. Imagine então quebrar paradigmas. A coragem da Canonical em mudar pode custar caro e eles sabem disso. Pode afastar de uma vez boa parte de seus usuários. Por outro lado, essa mudança pode também instigar a curiosidade, afinal, mudou tudo, conceitos, formas de interagir com o sistema e isso, por si só, aguça a curiosidade e por fim desperta o desejo de explorar o novo. Vale lembrar que este conceito de janelas já encontra-se um tanto ultrapassado, mesmo assim funciona bem, atendendo as necessidades no desktop e mesmo necessitando de revitalização, tem sido um padrão desde as primeiras interfaces gráficas implementadas nos sistemas operacionais.

Se essa mudança será um sucesso ou não, ainda é muito cedo para avaliar. O fato é que após muita paulada, especialmente por em tese não contribuir para o projeto GNOME, creio que a Canonical resolveu chutar o balde e dar o seu toque final no Ubuntu, deixando de lado um padrão seguido pelas demais distribuições em adotar uma interface pronta e criar a sua. Se o GNOME Shell também não estava nos planos da Canonical, mudar para o Unity faz reacender a questão da ousadia em mudar sem medo da repercussão negativa. Consequentemente espera-se uma debandada dos usuários, porém, acredito que será pequena, até mesmo porque já existem relatos positivos e animados de usuários sobre a nova interface.

Ainda falta muito pro Unity se tornar um ambiente configurável. Talvez nas próximas versões surjam novas funcionalidades e novas implementações que priorizem um ambiente mais personalizável, tornando-o mais maduro e flexível. O certo é que ousando ou não, a Canonical mostrou que com essa mudança, mesmo após rumores de que talvez o GNOME seria padrão no Natty devido a pequenos bugs no Unity, a nova interface veio pra ficar, agradando ou não aos usuários. Resta então a nós, fãs do Ubuntu, usufruir do novo, quebrar paradigmas e ir se acostumando. Se vai dar certo ou não e se haverá aceitação do público, só o tempo irá dizer.

3 thoughts on “Hora da verdade e de quebrar paradigmas

  1. Arllen Victor 28 de abril de 2011 / 06:45

    Wendell, testei o Unity, gostei muito e achei super bacana a iniciativa da Canonical. Acho que quebrar paradigmas é arriscado, porém muito bem-vindo. Através disso ocorre a inovação e, se bem aceito, um futuro promissor. Sem falar que a Canonical costuma acertar nas inovações.

    Porém, não concordei com UMA coisa: investiram pesado em patches e modificações utilizando o Gnome 2 + Compiz. Po, eles poderiam ter feito o mesmo investimento, patches e modificações utilizando como base o Gnome 3, ou pelo menos o GTK 3.

    Não precisaria nem utilizar o Gnome Shell, já que a intenção era inovar. Utilizariam o Gnome 3 Fallback como base e fariam as adaptações do Global Menu e do Compiz ao GTK 3. Pronto, Unity rodando sobre o Gnome 3. Perfeito!!

    No mais, tudo certo. Forte abraço!!

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  2. Juliano 28 de abril de 2011 / 18:51

    Não concordei muito com a frase “Ninguém em sua sã consciência mexe em um time quando ele está ganhando.”. Quem quer continuar na frente, tem que se atualizar, tem que evoluir. Continuando sempre com o mesmo sistema igual ao que todos os outros usam, qual vai ser o diferencial?

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    • Wendell 28 de abril de 2011 / 19:13

      Juliano,

      Partindo do princípio que houveram muitas manifestações contrárias a adoção do Unity, até que a frase é coerente, afinal, entre o novo Shell e o GNOME2, certamente muitos usuários optariam pela segunda interface, mesmo sendo antiga e que carece de atualização. Quanto a evolução, sempre fui a favor, apesar de achar que o Unity ainda precisa ser melhorado. É apenas um começo, quero crer que melhorias virão nas próximas releases.

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