Quando entramos na zona de conforto

Prezados leitores deste modesto blog. Desde que se falou nas mudanças no Ubuntu, diga-se Unity, fiquei imaginando como seria uma possível migração para outros sabores de Linux. Realmente confesso, o Unity não está me agradando. Fica até meio repetitivo manifestar isso quando vou escrever, mas a verdade é que tô com o pé atrás com essa mudança. Espero porém que seja positiva. Quero acreditar que a escolha da Canonical esteja correta.

Diante de tamanha dúvida, esse final de semana resolvi testar outros sabores de Linux. Na verdade eu queria tentar me adaptar a uma distro que ainda não usei e ao mesmo tempo ao novo conceito de desktop inserido pelo KDE 4. Esse já é um desejo antigo. De todas as opções disponíveis, fui ao encontro de uma distro que sempre me aguçou a curiosidade. Baixei e instalei o Fedora 14.

Não farei uma avaliação profunda. Posso adiantar que o pessoal da comunidade fez um belíssimo trabalho. Quanto a parte técnica, não entrarei em detalhe visto que já tem muita coisa de qualidade escrita por aí e minha intenção era apenas testar o básico do básico, rodando o sistema conforme minha necessidade. Um parêntese: Essa foi a única distribuição que meu Sony Vaio aceitou sem nenhuma intervenção mais técnica e que necessitasse de conhecimentos mais avançados quanto a placa de vídeo.

Voltando num passado não muito distante, eis que dei meus primeiros passos num distro com pacotes RPM e que muita coisa era feita na mão. Até aí nada de novo, mas confesso, isso faz tempo. Quanto ao YUM, este apresentou-se simples, objetivo e a resposta foi bastante rápida quanto aos comandos. Lembro-me que tempos atrás era uma reclamação constante sobre a diferença entre o YUM e o APT-GET no quesito eficiência e gerenciamento de pacotes. Posso afirmar que as dependências foram todas resolvidas de forma a instalar tudo que necessitei sem nenhum problema, a não ser o maldito flash. Esse sim deu trabalho!

Durante os testes, tive a gostosa sensação de ter o controle do sistema novamente. Muitas das configurações, em especial do plugin da Adobe, foram feitas na mão, na linha de comando, usando o terminal e suando a camisa pra não dar erro. Esse sim foi o momento nostalgia.

O interessante nessa experiência foi que, mesmo voltando no tempo e lembrando de como era sofrível deixar um Linux redondo, a recompensa veio com o SO funcionando 99%, sem nenhum tipo de intervenção avançada. Realmente o Fedora 14 me surpreendeu, reconheceu todo meu hardware. Me surpreendeu também pela beleza, pela simplicidade do YUM e pelos Delta RPM’s, que são o grande diferencial dessa distro e finalizando, pelo simples fato de eu ter que fuçar bastante na linha de comando, coisa que não fazia há muito tempo.

Quanto ao 1% que faltou e que me deixou frustrado, foi o fato de não ter conseguido um bom desempenho na instalação do flash. Tive que fuçar muito e suar a testa pra instalar o maldito. Ele não faz falta, uso o iPad e já me acostumei com sua ausência, mas quando se fala em desktop ele é um grande diferencial. Considerando porém que estava fazendo testes, mesmo emulando o plugin de 32 bits num processador de 64, senti que esse procedimento poderia ser mais simples. Olha aí a zona de conforto.

De tudo o que experimentei com essa instalação, conclui que a culpa maior não é da máquina, não é do maldito flash, não é pela falta de repositórios e pacotes para máquinas 64 bits e tão pouco do sistema operacional. Na verdade, a culpa disso tudo é minha. Sinceramente, o Fedora não é tão complexo assim. Exige na verdade alguns conhecimentos e com certeza existem outras distribuição bem mais avançadas. O fato é que desde que adotei o Ubuntu como distro oficial de meus computadores, eu acomodei com sua facilidade. Hoje não perco tempo compilando ou quebrando a cabeça com soluções para fazer o sistema funcionar. A não ser que meu hardware não me ajude, e isso tem sido um mísero problema quando me refiro ao meu Vaio e sua placa da Nvidia. A solução está no boot. Outro dia inclusive manifestei no Twitter que fazia muito tempo que não compilava nada no Linux, nem um pacotezinho. Hoje a distro de Mark te entrega tudo pronto. Sem falar nos repositórios que tem de tudo. Quando não tem, existem os PPA’s. Na minha opinião, as grandes vedetes. Tem até site com relação de PPA por aí.

Portanto meus nobres leitores, usar uma distro que me entrega quase tudo pronto tem suas vantagens. Nada como uma central de programas para resolver a vida. Porém, nada também como ter controle do sistema. Há quem prefira esse controle. Se é sofrível ou não, quando terminado o trabalho, ficam algumas certezas. Ganha-se conhecimento, experiência e num futuro, a possibilidade de ajudar alguém com a mesma demanda. O fato é que quando caímos na zona de conforto, esquecemos que o conhecimento vem da prática, dos estudos e das experiências. Acho que estou precisando sair dessa zona de conforto e praticar mais. Quanto a você meu leitor, deixo a pergunta: Ficar na zona de conforto ou colocar a mão na massa? Com vocês, a palavra!

3 thoughts on “Quando entramos na zona de conforto

  1. Georg 17 de janeiro de 2011 / 19:07

    Então.
    Após um bom tempo resolvo me manifestar com algo a respeito disso.
    Respondendo sua pergunta dizendo que prefiro por a mão na massa, não que não goste de conforto, muito pelo contrário, só que chega de outros acharem que sabem o que é melhor para mim.
    Isso me afastou do Windows e agora do Ubuntu e afastará de qualquer outro sistema que tente me IMPOR algo.
    Se compro uma placa de vídeo de determinado fabricante e este me disponibiliza o driver, por que em sã conciencia não deveria usá-lo? E usar um de quem nunca ouvi falar? Livre? Livre é escolhermos o que queremos, com o Ubuntu hoje somos livres para usar o sistema do jeito que eles querem. E assim…………

    Testando o Chakra.

    T+

    Curtir

  2. Gilson Filho 18 de janeiro de 2011 / 11:11

    Isso é relativo. Depende do seu tempo que você irá dispor para aprofundar em alguma distribuição, etc. Por exemplo, eu sou desenvolvedor e tenho várias coisas para aprender. De inicio estou usando Ubuntu, mas não esqueço da experiência com o Slackware, foi muito bom🙂 As pessoas não devem entrar na zona de conforto, se puder sair disso ótimo!

    Curtir

  3. Luiz Felipe 31 de janeiro de 2011 / 04:09

    Post interessante cara! E como o Gilson Filho, também julgo isso relativo, mas por diferentes razões. Para um usuário comum, que não quer nada além do LibreOffice e do navegador, é totalmente inútil ele aprender a compilar pacotes, ele nunca usará isso na vida, a Central de Programas do Ubuntu é perfeita para usuários assim.
    Agora vamos pensar num programador que desenvolve sites em PHP+MySQL, mesmo ele sendo um programador, o Ubuntu e o Fedora me parecem distros perfeitas pra ele, pois é simples, faz tudo automaticamente e deixa uma área de trabalho pronta para o Eclipse + Aptana.
    Agora, para um cara que vai desenvolver algum software para linux, fará manutenção de PCs ou quer resolver imprevistos com o computador sem precisar chamar um técnico ou passar horas pesquisando coisas na net, acho muito importante esse tipo de usuário buscar algo que seja menos automatizado, que precise instalar muitos pacotes individualmente para de fato entender como o OS funciona, conseguir distinguir o que é ou não necessário e realmente ter o controle sobre seu computador.

    Curtir

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s