Pra que reinventar?

Venho acompanhando desde a notícia oficial até a calorosa discussão recentemente iniciada no BR-Linux, sobre o fim do Kurumin Linux.

Graças ao esforço de Carlos Morimoto, o Linux deixou de ser um bicho papão e começou a ganhar adeptos em todo o Brasil devido a simplicidade da distribuição. Jamais se viu um projeto pessoal ganhar tamanho reconhecimento e adesão quanto o Kurumin, especialmente em uma época em que pouco era feito em prol do usuário final, pois os desenvolvedores não tinham essa preocupação. Porém, todo sucesso tem o seu preço e infelizmente devido a demanda de tempo e a falta de colaboração o projeto acabou sendo encerrado oficialmente.

Nessa hora –  já passei por isso –  nos sentimos órfãos. Quando a Conectiva foi engolida pela Mandrake, afinal, não se aproveitou muito da antiga distro a não ser um pequeno trecho do nome, me senti sem chão. Certamente essa deve ter sido a sensação de  muitos usuários do Kurumin. Durante a sua existência, muitas pessoas se renderam à distro do “indiozinho” e começaram a dar seu primeiros passos no universo Linux.

Muito foi dito na ocasião do fim do ciclo de desenvolvimento, manifestações pipocaram de ambos os lados para tentar salvá-la, porém, tudo foi em vão.

Mas sempre existe uma luz no fim do túnel e eis que surge  o Kurumin NG. Mais uma vez o projeto tentar ganhar novo fôlego. A base para a nova customização foi mudada (Kubuntu) e novamente a esperança se renovava para os fãs do Linux mais utilizado no Brasil. Porém, nem tudo são flores e eis que surge novamente o manifesto no fórum do Guia do Hardware sobre o fim da distribuição.

Bom, analisando a história de sucesso do Kurumin e a atual situação em que o projeto se encontra, somos levados a uma reflexão profunda sobre o desenvolvimento do Linux em nosso país.

Da Conectiva ao Big Linux, do Kurumin ao DreamLinux e tantas outras que surgiram por aí, ficou uma lição. Não valorizamos o que temos! Lembro-me que na época da Conectiva, muitos  “desciam o pau” e criticavam ferrenhamente a empresa. Tudo bem, ela até podia ter lá seus problemas, mas até então foi a percussora do Linux no país e foi através dela que o Linux começou a ser conhecido por aqui. Depois veio o Kurumin e seus ícones mágicos. Sem dúvida, foi o mais belo trabalho que já vi em termos de Linux em terras tupiniquins. Qualquer pessoa usava, porém o mais importante é que resolvia o problema, seja com os malditos winmodens, a placa de vídeo, seja com o que for, mas o pequeno notável ao final acabava rodando. Era o Linux das massas.

Na carona do sucesso, surgiram outras distros com o intuito de conquistar  também o seu espaço, porém já era tarde. A fatia conquistada pelas grandes distribuições e pelo pequeno Kurumin já estava preenchida.

Muito se fala quanto à real necessidade de criar mais uma distribuição. Fica no entanto a pergunta: Será que realmente precisamos de mais uma distribuição Linux? Sei que essa pergunta fere a questão da liberdade de escolha, mas será que as 315 distribuições Linux mais populares do Distrowacth não são suficientes para suprir a demanda dos 0,85% dos usuários que usam Linux no mundo?

Sinceramente, sempre acreditei em projetos como o Kurumin, BigLinux, Kalango e tantos outros existentes, no entanto, acho que a hora é de contribuir com os projetos atuais e que se consolidaram, buscando melhorar ainda mais o que temos  disponível atualmente. Creio que o Bruno do BigLinux ficaria muito satisfeito com o apoio de algum desenvolvedor. O próprio Morimoto recomenda a distro aos órfãos do Kurumin. Além desse projeto fantástico e que vem ganhando mais adeptos, a Canonical, OpenSuse, o projeto Debian e tantos outros ficariam deveras satisfeitos em angariar mais desenvolvedores com boas idéias para engrossar ainda mais o seu quadro de desenvolvimento. Posso parecer egoísta em manifestar a opinião dessa forma, mas acredito que não precisamos de mais uma distribuição Linux, mas sim, de uma distribuição Linux que atenda desde o usuário iniciante ao expert. Precisamos de uma distribuição Linux sólida e madura o suficiente, seja ela qual for, porém, que receba o devido apoio desde o usuário ao desenvolvedor.

Ao Morimoto fica o agradecimento e reconhecimento pelo trabalho realizado com o Kurumin. Aos que desenvolvem, deixo um  apelo. Não adianta desfragmentar ainda mais criando uma nova distro Linux por aí. Quer ajudar? Junte-se a algum time de desenvolvimento, crontribua melhorando o que já existe. Não adianta ficar querendo reinventar a roda. Ela já está pronta, só precisa nesse momento ser aperfeiçoada.

4 thoughts on “Pra que reinventar?

  1. Rob Ville 31 de janeiro de 2009 / 17:54

    Devo dizer que concordo pelnamente com seu texto!
    Parabéns pala opinião sensata!

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  2. Leandro 2 de fevereiro de 2009 / 11:52

    Pois é verdade.
    O grande volume de distros acaba, em determinado ponto, funcionando como um tiro no pé. Menos distros favoreceriam os desenvolvedores de aplicativos e beneficiariam os usuários.
    Acredito que caras como o Morimoto e seu Kurumin sejam indispensáveis e deixaram suas marcas na história do Linux no Brasil; mas, por outro lado, ele pode colaborar (e muito!) em outros projetos, como p.ex. o Ubuntu.
    Talvez o que motive tantos a terem suas próprias distros seja mais uma questão de vaidade pessoal do que de uma real necessidade.

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  3. Wendell 3 de fevereiro de 2009 / 01:58

    Rob e Leandro,

    Sempre defendi essa ideia de trabalhar em apenas uma coisa para que ao final, o resultado seja o mais satisfatório possível. Admiro o trabalho dos que de uma forma ou outra contribuem com o Linux desenvolvendo algo inovador e que possibilite um contato menos traumático com o sistema do pinguim. Por outro lado, vejo que mesmo sendo válidos esses esforços, eles acabam ficando inviáveis devido a demanda e a falta de contribuição. Considerando que já temos boas distribuições no mercado como Mandriva, Ubuntu, Big Linux e tantas outras por aí, ao meu ver, elas ficariam ainda melhores se estas pessoas dotadas de amplo conhecimento, se unissem aos times de desenvolvimento e contribuíssem, ajudando a melhorar ainda mais o que já se consolidou no mercado.

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  4. Sergio 7 de março de 2009 / 01:02

    Desde agosto/08 que venho tentando conhecer uma distro e utilizá-la para substituir o XP. Baixei alguns liveCD experimentei. Quando cheguei no Kurumin 7 resolvi adotá-lo oficialmente e aí o trabalho foi domina-la, gostei muito, não me cansava em estudá-la e ainda até o presente momento não consegui colocar impressora Lexmark 510 Z513 para funcionar e nem aumentar o som nas caixas. Isto tudo não me desanimou, mas quando vi que o kurumin chegara ao fim me senti bastante frustrado é como se eu tivesse perdido algo, ainda não desinstalei-o, é maginifico na internet….Por que parou? Por que não continua? Por que? Vê-se que ele completo, para que outras distribuições se ele tem tudo que se precisa?

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