Ministério do Trabalho e seu acordo com a Microsoft

Semana passada publiquei sobre um acordo de cooperação técnica entre o Ministério do Trabalho e a Microsoft dentro do programa de Estímulo ao Primeiro Emprego para jovens. A responsabilidade do programa ficou à cargo da ONG Oxigênio que será responsável pela coordenação e gerenciamento do projeto junto a outras vinte e quatro organizações. Simplificando, o acordo visa capacitar jovens entre 16 a 24 anos de idade em tecnologias da informação na plataforma Microsoft, sendo que a empresa vai doar material didático e softwares, totalizando 4 milhões de reais.

Diante do quadro, o pessoal da Fundação Software Livre América Latina disponibilizou um WIKI no qual deixou aberto um modelo de mobilização, estimulando a sociedade a sugerir modificações para agir contra o acordo.

Se analisarmos de uma forma mais abrangente, teremos um quadro não muito favorável ao Software Livre caso se efetive realmente este acordo. Olhando mais profundamente, nossos jovens terão capacitação em uma tecnologia fechada e com isso perderão em tese, contato com as ferramentas Open Source existentes no mercado e em vasto processo de utilização.

É sem dúvida uma questão preocupante e ao mesmo tempo um momento de refletir sobre os rumos.

No Chile, no último dia 23 de julho, veio à tona o acordo entre o governo daquele país e a Microsoft para o “desenvolvimento econômico e tecnológico”, utilizando-se a plataforma da empresa. Lá no entanto, está ocorrendo uma grande mobilização contra tal acordo, na qual a sociedade Chilena se organizou e espalhou aos quatro cantos do planeta tal informação. Foi criado inclusive o movimento Liberacíon Digital que tem tem como fim principal a neutralidade tecnológica.

Esperamos que a iniciativa brasileira não fique apenas nos ideais daqueles que visam um futuro mais abrangente para nossas crianças. Impor um modelo de capacitação voltado apenas a uma plataforma, desconsiderando as demais existentes, é como ensinar apenas um caminho a ser seguido na vida e que não existem outras opções de escolha.

Muito me admira o governo acatar tal acordo, especialmente porque, se observarmos a situação hoje, ele estimula a compra de PC’s com software livre, inclusive homologados, e repentinamente fecha acordo com uma empresa que, após capacitar, irá vender a tecnologia para esses futuros profissionais.

Tá aí um assunto a ser analisado e repensado. Não estou dizendo que temos que impor apenas tecnologias livres como uma única forma de capacitação, mas avaliando o rumo das coisas, ambas poderiam ser contempladas (livre e fechado) como opção na formação profissional desses jovens.

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