O dia em que o curso parou

Março 20, 2009

Hello world! Bom, hoje não vou falar de Linux, nem dar alguma dica, ou mesmo tratar de alguma novidade. Hoje o papo aqui é sério e meus leitores, me desculpem, mas preciso contar uma historinha para vocês. Espero de alguma forma contribuir para aqueles que um dia possam cair no papo, ou melhor, na primeira propaganda bonitinha que aparecer na TV.

Minha, quer dizer, “nossa” saga começou em 2006 quando iniciamos o curso de Sistemas de Informação na UNIPAC Campus Bom Despacho. Tudo era novo, lembro-me que estávamos malucos para programar. Tempo bom aquele, éramos felizes e não sabíamos. Porém, no decorrer do curso as coisas foram se revelando e a ficha foi caindo.

No meu caso por exemplo, quem me convidou a fazer o vestibular da UNIPAC foi a Débora. Eita, que gracinha de menina viu! Foi num domingo, na hora do almoço. Até engasguei de satisfação. Justo a Débora! É, foi ela mesma, a Falabela! Vi a propaganda  e ela me convenceu que valeria a pena estudar numa instituição séria e moderna. Bom, como sempre considerei muito a credibilidade das pessoas, especialmente a da Débora, não exitei e no dia seguinte eu tava lá, não com a Débora, mas na internet para fazer minha matrícula. Fiz, estudei e passei.

No início tudo era lindo. Todos os cursos de sistemas estavam num mesmo curral, ops, desculpem, estavam num mesmo pavilhão e o nosso, bem, o nosso estava num moderno e luxuoso prédio que ficava do outro lado da instituição. Éramos as ovelhas desgarradas. Quanto ao “moderno prédio”, é verdade que ele precisava de alguns ajustes, como construir mais três andares e concluir a obra. Mas tava valendo, o único problema que enfrentávamos era a chuva. Quando ela vinha, as salas viravam uma belo lago. Perigoso era afogar ali.

O tempo passou e no final de 2007 veio a necessidade de buscar algo de bom para nós. Já estávamos cansados do descaso da instituição para com nosso curso. Nessa ocasião já havíamos saído do pombal. Pombal é o prédio ainda inacabado em que nossa sala se encontrava. Na ocasião fomos transferidos para perto das demais turmas de sistemas. A sala era boa e ficava próxima aos laboratórios de Software Livre e Engenharia de Software. Talvez estes dois tenham sido o local onde mais tempo permanecemos desde o quarto período. Uma coisa interessante e que não mencionei é que nossa turma era bem grandinha. No decorrer dos períodos, o número de laptops também cresceu bastante. O legal mesmo era que, numa turma de quarenta e  poucos alunos, e muitos deles com laptops, todos tinham que disputar à tapa os dois únicos pontos de energia existentes em  nossa sala de aula. Pô, economia porca heim! Pois é, assim começa efetivamente nossa segunda parte da história.

Não me recordo o dia. Sei que tínhamos uma prova prática de Delphi e os alunos que possuíam notebook poderiam utilizá-lo durante a avaliação. Os demais ficariam no laboratório de engenharia de software. Durante a realização da avaliação, nosso antigo coordenador, Prof. Pagliares pode ver com seus próprios olhos a que ponto a coisa havia chegado. Lembro-me que de cabo a rabo na sala de aula, os fios das extensões elétricas se espalhavam pelo chão. Sinceramente, sabe aqueles “gatos”, muito utilizados em favela pra pegar emprestado energia elétrica, o nosso ganhava. Era muito fio espalhado. Com isso, começamos uma campanha em busca de melhorias, dentre elas laboratórios mais estruturados e com recursos multimídia, mais pontos de energia nas salas de aula e a viabilidade de uma rede wireless. Através de nosso antigo coordenador, nosso pleito foi levado ao Comitê Gestor e fomos recebidos para uma reunião. Nesse proveitoso momento colocamos nossos anseios perante ao diretor administrativo e nos foi prometido melhorias. Assim  terminava 2007, o ano seguinte prometia: as mensalidades aumentaram!

Fevereiro de 2008. Chegamos e pra nossa felicidade, nada de pontos, nada de wireless. Resposta: Estamos providenciando. Nos foi solicitado um “prazinho” curto. Depois do carnaval. Confiamos nas palavras do coordenador e partimos pra folia.

Ao retornar as aulas, enfim, o sonho foi realizado. Nossos olhos marejavam de felicidade. Numa turma de pouco mais de 35 alunos e com dois pontos de energia elétrica, ganhamos mais 5 reforços. Pelo menos o número de extensões elétricas diminuíram. Quanto aos recursos multimídia, bom, o Lab Linux já tinha um Data Show. Então nenhuma novidade. Faltava o de engenharia, isso veio depois. Demorou, mas veio. Pra tentar minimizar, colocaram TV’s de 29 polegadas em cada sala de aula. Bacana, mas inútil, porque nem sempre atendia as necessidades. Finalmente a rede wireless. Eita coisa maravilhosa! Segundo  nos foi informado, foi colocado ali devido ao nosso curso. Existia porém a promessa de ampliação para as demais dependências do Campus, mas as cobaias seríamos nós alunos de sistemas. Após isto fizeram uma reforma bacana na biblioteca. Ficou show demais. Isso reconheço e parabenizo a instituição. Pelo menos um local bem organizado. Colocaram novos computadores, todos com LCD, a entrada agora é através de biometria digital. O mobiliário novo deu uma modernizada. Mas aquelas janelas! Terminaram também o pombal, quer dizer, o prédio novo. Agora sim, é prédio! Fizeram a ampliação do estacionamento e mais um monte de melhorias. Mas ainda precisam fazer mais, ou seja, tratar os alunos como alunos e clientes.

Bom, as conquistas aconteceram. Tudo virou um mar de rosas, afinal, tínhamos conquistado nosso objetivo. Porém o primeiro nocaute. Perdemos ótimos professores. O que nos deixou mais cedo foi o Cristiano. Ou, te falar, o cara era fera. Nos dois sentidos. Sabia demais e cobrava mais ainda. Uma terrível perda. Depois foi o “Bad”. Me permita viu Wellington. Realmente um excelente professor de Banco de Dados e Delphi. Tá certo que uns vão e outros veem, mas é difícil aceitar essas saídas repentinas. Finalizando, o segundo round foi a perda do coordenador. Vou me ater aqui apenas à perda, porém confesso, a saída do Pagliares foi um baque. Perdemos um amigo, um companheiro de lutas e um ótimo professor de Java. Apesar de enérgico com os alunos.

O segundo nocaute foi hoje. Isso já era de conhecimento, porém não acreditávamos nessa possibilidade visto que esperávamos outra atitude, como por exemplo uma possível ampliação, mas isso não aconteceu. Ao chegarmos para mais um dia de aula, eis que fomos surpreendidos com isso:

local do crime

Local do crime

Bacana né? Entendeu não? Vou contar então. Se você teve a paciência de ler até aqui, vai se lembrar que falei sobre a conquista da rede wireless. Hoje ao chegarmos à faculdade fomos pegos de surpresa. Simplesmente roubaram o roteador. Ou, chama a “puliça”! Ops, uai, “puliça” sou eu! Desculpem pela brincadeira, mas por ordem de algum “bacana”, tomaram nosso ponto de acesso. Quem estava lá podia ver o o que sobrou.

Alunos compenetrados, apesar de terem cortado o sinal em retaliação ao movimento

Alunos compenetrados, apesar de terem cortado o sinal em retaliação ao movimento

De imediato nos mobilizamos. Formamos uma comissão de dois alunos de cada período e fomos atrás de nosso direito. Ainda bem que o temos, porque ultimamente só tenho tido o direito de pagar a mensalidade e olha lá!

Procuramos o coordenador. O Eduardo nos recebeu muito bem e explicou que  só havia ficado sabendo da mudança durante a tarde. Nos disse que buscaria as informações e assim que obtivesse uma reposta nos colocaria á par da situação.

Alunos discutindo sobre a mudança do roteador wireless

Alunos discutindo sobre a mudança do roteador wireless

Bom, fazer o que né! Ele não sabia, o comitê não sabia, ninguém sabia. Porém, o roteador estava lá, bem na praça de alimentação, pendurado numa viga e irradiando sinal para todos os demais alunos. Isso que chamo de democracia. Pensaram no coletivo. É nessas horas que vejo o quanto o “bacana” que deu essa ideia brilhante pensou nos pobres e oprimidos alunos dos demais cursos.

Apareceu a margarida!

Apareceu a margarida

Puta que pariu! Falei. Sinceramente, é inaceitável isso.  Será que é tão caro assim aumentar os pontos de acesso em vez de trocar um de local? Ó, pessoal da UNIPAC, vou tomar a liberdade de ajudá-los no orçamento de alguns itens para montar mais um ponto. Pega uma caneta e um papel e anota aí:

roteadorDLINK DI-525 ROTEADOR WI-FI 54MBPS 1WAN 4LAN 10/100MBPS

Preço: R$113,85 à vista – pode ser comprado aqui. (Quero meu jabá viu!)

Com a mensalidade de dois alunos, podemos comprar 05 (cinco) roteadores, 01 caixa com 305 metros de cabo UTP Azul Furukawa, no valor de R$322,00 que pode ser adquirida aqui e ainda sobram R$150,75 para os conectores, pro picolé e pro que mais der na telha.

Anotaram né? Espero que sim. Bom, voltando a minha lamúria, que já está terminando, após a conversa com nosso coordenador, que infelizmente não pode fazer muito devido ter sido pego de surpresa com a mudança e não conseguirmos uma audiência com o responsável pela logística da instituição devido o mesmo ter alegado que estava muuuuuuuuito atarefado, resolvemos fazer valer nossos direitos. Após uma pequena conversa com os representantes das turmas, resolvemos a questão da melhor maneira. Bem, se a montanha não vai até Maomé, Maomé vai até a montanha. Assim, decidimos assistir as aula ali, na praça de alimentação da Universidade. Uma das nossas preocupações no entanto foi não fazer nada que tirasse o direito dos demais. Fizemos aquilo de forma pacífica. Na oportunidade, até convidamos o diretor administrativo a participar conosco da aula, mas devido ao acúmulo de serviço, ele não pode comparecer. Recebemos também o apoio do DCE. Estiveram conosco boa parte de nossa manifestação.

Novo Laboratório de Sistemas

Novo Laboratório de Sistemas

Prof. Henrique dando sua aula e lembrando que o shell não faz parte do sistema operacional

Prof. Henrique dando sua aula e lembrando que o shell não faz parte do sistema operacional

“O prof. Henrique não estava endossando, apoiando, incentivando ou coordenando a movimentação, e queria apenas que seus alunos não fossem prejudicados na sua aula sobre WiFi.”

Mas tem uma coisa que é foda. Tal de aluno é uma merda mesmo. De posse de um celular, uma ideia na cabeça e vontade de buscar ao menos uma reposta, um colega ligou para a instituição e solicitou falar com o representante do comitê gestor. Conseguimos enfim a audiência. Abro aqui um parêntese quanto a isso. Veja bem caro leitor. Como clientes, especialmente de uma instituição particular de ensino, mesmo ocorrendo uma manifestação pacífica como a nossa, é sensato tentar resolvê-la da melhor maneira possível. É inadmissível ignorar, mesmo os afazeres sendo prioridade. Jamais ignore o pedido de seu cliente. Outro aspecto relevante: a educação e cortesia fazem parte do contexto. Talvez as palavras usadas não tenham sido colocadas da melhor maneira, mas nos receber com descaso e arrogância é sem dúvida uma prova de despreparo para tal cargo ou função. Talvez isso sirva para que condutas sejam revistas e o tratamento seja polido, educado e humano. Lembrem-se: Nós pagamos o seu salário!

A internet foi cortada em retaliação

A internet foi cortada em retaliação

Após a discussão, no sentido pleno da palavra, e, após os ânimos ficarem mais calmos, tivemos a garantia de que seremos recebidos na próxima segunda-feira dia 23 de março, para discutir sobre o assunto. Esperamos que essa reunião seja esclarecedora e tenhamos no mínimo a promessa de que em vez de simplesmente trocar de um lugar para o outro, esses “bacanas, sabichões e doutores em administração”, vejam que a valorização de uma instituição ocorre, quando ela investe em benefícios para seus alunos. Não se esqueçam! Não é a Débora e outras tantas famosas que irão engrandecer o nome da UNIPAC para arrebanhar mais calouros. A maior propaganda é feita por aqueles que todos os dias lotam as salas de aula em busca de conhecimento, pagam caro, merecem ser tratados com educação e ter uma estrutura melhor. E tenho dito!

Update: Qualquer forma de manifestação que tenha sido feita de forma isolada e anônima, está em desacordo com o que foi estabelecido entre os representantes de cada período. A comissão de alunos do curso de Sistemas  de Informação desaprova e não concorda em hipótese alguma com ataques a funcionários, professores e pessoas da UNIPAC. Apesar de insatisfeitos com o ocorrido, toda e qualquer forma de manifestação feita fora do que foi estabelecido, deve ser considerada por quem de direito como ato isolado .