Ministério do Trabalho e seu acordo com a Microsoft

Agosto 27, 2007

Semana passada publiquei sobre um acordo de cooperação técnica entre o Ministério do Trabalho e a Microsoft dentro do programa de Estímulo ao Primeiro Emprego para jovens. A responsabilidade do programa ficou à cargo da ONG Oxigênio que será responsável pela coordenação e gerenciamento do projeto junto a outras vinte e quatro organizações. Simplificando, o acordo visa capacitar jovens entre 16 a 24 anos de idade em tecnologias da informação na plataforma Microsoft, sendo que a empresa vai doar material didático e softwares, totalizando 4 milhões de reais.

Diante do quadro, o pessoal da Fundação Software Livre América Latina disponibilizou um WIKI no qual deixou aberto um modelo de mobilização, estimulando a sociedade a sugerir modificações para agir contra o acordo.

Se analisarmos de uma forma mais abrangente, teremos um quadro não muito favorável ao Software Livre caso se efetive realmente este acordo. Olhando mais profundamente, nossos jovens terão capacitação em uma tecnologia fechada e com isso perderão em tese, contato com as ferramentas Open Source existentes no mercado e em vasto processo de utilização.

É sem dúvida uma questão preocupante e ao mesmo tempo um momento de refletir sobre os rumos.

No Chile, no último dia 23 de julho, veio à tona o acordo entre o governo daquele país e a Microsoft para o “desenvolvimento econômico e tecnológico”, utilizando-se a plataforma da empresa. Lá no entanto, está ocorrendo uma grande mobilização contra tal acordo, na qual a sociedade Chilena se organizou e espalhou aos quatro cantos do planeta tal informação. Foi criado inclusive o movimento Liberacíon Digital que tem tem como fim principal a neutralidade tecnológica.

Esperamos que a iniciativa brasileira não fique apenas nos ideais daqueles que visam um futuro mais abrangente para nossas crianças. Impor um modelo de capacitação voltado apenas a uma plataforma, desconsiderando as demais existentes, é como ensinar apenas um caminho a ser seguido na vida e que não existem outras opções de escolha.

Muito me admira o governo acatar tal acordo, especialmente porque, se observarmos a situação hoje, ele estimula a compra de PC’s com software livre, inclusive homologados, e repentinamente fecha acordo com uma empresa que, após capacitar, irá vender a tecnologia para esses futuros profissionais.

Tá aí um assunto a ser analisado e repensado. Não estou dizendo que temos que impor apenas tecnologias livres como uma única forma de capacitação, mas avaliando o rumo das coisas, ambas poderiam ser contempladas (livre e fechado) como opção na formação profissional desses jovens.


Uma semana blogando

Agosto 27, 2007

Olá meu povo! Antes de eu ir ali olhar pra dentro (dormir), achei melhor quebrar meu pequeno jejum de postagens iniciado na sexta-feira à tarde e vim escrever algumas coisas. Amanhã completo uma semana de blog no ar e até que fiquei satisfeito com os resultados. Por isso não posso deixar a peteca cair.

Antes de tudo agradeço aos que visitaram o blog. Os anônimos que correram os olhos nas postagens e tiraram algum proveito do que foi escrito durante a semana. E que semana!

Bem, estava olhando as estatísticas do blog ali e fiquei satisfeito. Para um começo até que deu pro gasto. Vamos ver como vai ser doravante. Pena que não tem mais votação para aprovação do OpenXml da Microsoft na ABNT. Isso deu uma boa discussão durante a semana e o blog acabou sendo referência em outro blog e isso acarretou em algumas visitas a mais. É sempre assim, uma coisa puxa a outra e por aí vai.

Hoje testei o Ubuntu 7.10 (Gutsy Gibbon) Tribe 5. Isso mesmo, após 4 horas de download baixei o beta da nova versão do novo Ubuntu e fiz alguns testes preliminares. No meu PC ele rodou bem. Como utilizo ele como laboratório, assim que queimei o CD já dei o boot e fui avaliando os detalhes. Notei uma pequena lerdeza na inicialização da máquina. Possuo 3 discos rígidos com tudo enquanto é bugiganga digital. Então até ele reconhecer isso e montar ocorre uma certa lentidão na inicialização, pelo menos aqui é assim. Mas no geral foi melhor que o boot do Feisty.

O ambiente continua o mesmo. Ou seja (laranja pra uns, marrom claro pra outros), é a cara de sempre do Ubuntu. Você que visitou o Planeta Ubuntu deve ter visto a coleção de telas que publicaram da nova versão. Particularmente eu gosto do tema do Ubuntu, mas acho que eles poderiam diversificar mais, criar uns temas mais bonitos e arrojados, sem comprometer a estabilidade, é claro! Acho fantástico a cara do Ubuntu Studio por exemplo. Mas isso é com eles, então fica a sugestão. Quem sabe um dia acatem.

Voltando às primeiras impressões, gostei bem do que vem por aí. Só que existe os dois lados da moeda. No meu PC tive dificuldades com o drive da NVIDIA. Já era de se esperar. Essa semana quero arrumar isso e fazer os testes com mais tranqüilidade. Domingo em família e com visita, é meio corrido. A rapidez do sistema me deixou satisfeito. Não que o Feisty não seja rápido, mas sem os recursos 3D notei uma boa diferença, isso é elementar, mas sem os recursos no Feisty ainda sim ele é “pouquinho” mais pesado que o Gutsy. Espero não estar dizendo bobagem, mas em meu Athlon XP com 512 de ram e nada on-board, o bichinho deu show viu! Depois que testar todos os recursos e explorar ao máximo as novidades da nova versão eu posto aqui para vocês.

Não muito satisfeito, acabei experimentando a versão em meu notebook também. Esse sim é o lado bom da moeda. De cara ele deixou tudo redondo. A única coisa que teria de fazer, caso eu procedesse uma instalação, seria a configuração do meu drive da placa de vídeo (Intel915GM) o qual uso o 910resolution para a configuração manual. No mais a coisa rodou perfeitamente bem. A rede wirelles 100%, os dispositivos todos OK, em fim, melhor que isso, só dois disso. Estou apostando nessa nova versão do Ubuntu e com os olhos voltados para a próxima LTS que sairá ano que vem. O bom de usar o Ubuntu está exatamente no período de desenvolvimento. Tem alguns que não gostam e eu respeito, mas de seis em seis meses você ter novas funcionalidades e melhorias em um sistema operacional é tudo de bom mesmo.

Essa é a vantagem da liberdade. Não tem preço, não tem cartão que pague e ainda a gente usufrui de o que existe de melhor em software livre, seja Ubuntu, Mandriva, Debian, Slack, Fedora e qual mais for o gosto da pessoa, porque respondendo sempre aquela pergunta básica de qualquer iniciante, não existe a “melhor distribuição Linux”, existe sim aquela que você melhor se adaptou.

Sempre me perguntam porque uso o Linux eu respondo apontando para a “liberdade”. Não tem nada melhor que isso. E por falar em liberdade, vai a dica sugerida no BR-Linux (sempre meu porto seguro em relação a open source) através do blog do Gustavo Roberto, que trata do Dia da Liberdade do Software Livre. Achei o maior barato essa iniciativa (não conhecia) e vou levar ela para ser apreciada na faculdade. No próximo dia 15 de setembro, quem sabe, a gente promove alguma coisa legal por lá. Tomara que a turma anime a fazer algo.